8.11.2023

Queimadas em Manaus derrubam qualidade do ar e geram aumento de buscas por tratamento de saúde

Em outubro, o Amazonas registrou 3.799 focos de queimadas, um crescimento de seis vezes em relação ao mesmo período do ano anterior

Escrito por
Luana Neves
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TEXTO originalmente publicadO em
Imagem de um incêndio florestal em chamas no meio da floresta.
Foto:
Marizilda Cruppe/ Greenpeace
Queimada em desmatamento do início de agosto na Gleba Abelhas, uma floresta pública não destinada federal localizada no município de Canutama, Amazonas.

As queimadas em Manaus tornaram a região o pior lugar para se respirar no mundo, segundo o site World Air Quality Index. Durante o mês de outubro, a capital do Amazonas ficou encoberta por uma nuvem de fumaça proveniente das queimadas que estão acontecendo, principalmente, nos municípios de Careiro e Autazes.

De acordo com os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), no mês passado o Amazonas registrou 3.799 focos de queimadas. Enquanto isso, no mesmo período do ano anterior o número registrado foi de 612 focos.

Além de Autazes, que registrou cerca de 20% dos focos de queimadas, o município de Careiro teve 50 focos de calor. Estas cidades foram as que mais registraram ocorrências de queimadas na metade de outubro, como mostram os dados do Inpe.

A qualidade do ar de Manaus chegou a ser classificada como “ruim”, de acordo com o aplicativo Selva, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). O problema resultou em impactos na saúde e o número de pessoas com problemas respiratórios aumentou, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. O Samu registrou, nos primeiros dez dias do mês passado, 143 pessoas com questões de saúde associadas à qualidade do ar.

O estudo “As queimadas na região amazônica e o adoecimento respiratório”, publicado na Scientific Electronic Library Online (SciELO), mostra que 60% das doenças respiratórias estão relacionadas aos poluentes ambientais. 

A exposição a estes componentes pode resultar em inflamações não somente no sistema respiratório, mas também no aparelho circulatório. 

Além disso, as queimadas também geram prejuízos aos cofres públicos. Uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com a ONG WWF-Brasil, mostrou que o país gastou quase 1 bilhão de reais com doenças respiratórias causadas pela fumaça das queimadas na Amazônia entre 2010 e 2020. A redução da taxa de desmatamento poderia reverter essa situação.

No mês passado, a prefeitura de Manaus publicou nas redes sociais uma lista de cuidados que devem ser adotados pelas pessoas expostas à fumaça. Entre as medidas recomendadas, evitar a exposição em áreas externas, usar máscara fora de casa, manter as janelas fechadas, hidratar-se com frequência e manter o ambiente umidificado com bacias ou toalhas molhadas são algumas das ações que podem gerar mais conforto para a população.

A fumaça também tem efeitos negativos no clima ao interferir na formação de nuvens e, consequentemente, atrasar o início das chuvas. Em setembro, Manaus decretou estado de emergência devido à estiagem e à seca. Um dos agravantes é o fenômeno do El Niño, que causa o aquecimento do Pacífico, e também há interferência pelo aquecimento do Oceano Atlântico. Com as altas temperaturas e a falta de chuva, o problema da seca tende a continuar deixando impactos na região.

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Luana Neves
Luana Neves
É estudante de jornalismo na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e estagiária no Nosso Impacto
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Luana Neves
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