15.4.2024

Enquanto infraestrutura patina, demanda por carros elétricos aumenta no Brasil

Segundo especialistas, a procura por híbridos e por veículos totalmente eletrificados tem crescido e continuará em ascensão nos próximos anos

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Sabrina Brito
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Conector de carregamento ligado a carro elétrico
Foto:
Chuttersnap/ Unsplash

O ritmo de vendas de carros elétricos no Brasil está cada vez mais acelerado – de acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o acumulado dos três primeiros meses de 2024 se igualou a 73% do total de vendas de 2023. No total, isso representa 14.118 unidades de elétricos no país, ou 2,9% do total de veículos. “A eletrificação vai acontecer, e é importante que estejamos preparados para essa transição”, afirma Fabio Delatore, professor de engenharia elétrica da FEI. 

Ao longo dessa trajetória, os carros híbridos devem se tornar mais populares antes da eletrificação completa das frotas de veículos. De acordo com um levantamento da Bright, esse tipo de transporte pode dominar o mercado brasileiro até o ano de 2030, sendo que eles representarão aproximadamente 48,5% de todas as vendas de veículos leves dentro de seis anos. Os carros totalmente elétricos, por sua vez, ficarão com 9,8%, enquanto aqueles que funcionam a combustão serão 41,7%.

De acordo com o professor assistente de engenharia mecânica e membro do Centro de Engenharia Automotiva da Universidade de São Paulo (USP), Marcelo Alves, “a ascensão dos híbridos é uma maneira de não ter nos veículos algumas desvantagens dos veículos puramente elétricos, como a menor autonomia e a dificuldade de encontrar pontos de recarga em áreas mais remotas”.

Na Europa, a situação é semelhante. Em fevereiro, carros híbridos foram os que apresentaram os maiores índices de crescimento, ainda que veículos a combustão continuem sendo bastante procurados. Na França e na Itália, por exemplo, os registros de híbridos cresceram cerca de 13% em fevereiro em comparação com o mesmo mês do ano passado.

Quanto aos carros completamente elétricos, observa-se também um crescimento no que diz respeito à popularidade. Segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), as vendas totais dos eletrificados em janeiro de 2023 aumentaram 76% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em comparação com janeiro de 2021, a demanda por carros não movidos a combustão aumentou 241%.

“Nesse contingente, há uma grande demanda por carros elétricos em função de vários benefícios de estímulo ao consumo e de metas agressivas que indicam que a partir de 2035 não será mais permitida a aquisição de veículos movidos a combustão interna e dependentes de combustíveis fósseis”, complementa a coordenadora do Laboratório de Estudos do Veículo Elétrico da Universidade de Campinas (Unicamp), Flávia Consoni.

Quando comparado aos números dos países desenvolvidos, o Brasil ainda está atrás no que diz respeito à procura por carros elétricos. Em 2022, na China, 30% dos carros vendidos eram elétricos. Já na Noruega, a venda de carros com bateria representou 94% do total no mesmo ano.

Essa diferença na procura se deve a alguns fatores. Muitas vezes, por exemplo, o preço de carros elétricos fica acima do preço dos veículos a combustão, o que desmotiva o consumidor. Outro ponto importante é a falta de suporte que o brasileiro encontra no país em relação aos cuidados que precisa ter com o carro elétrico. “O Brasil não tem uma estrutura suficiente para a eletrificação da frota”, diz Alves, da USP. “Sejam pontos de recarga, oficinas especializadas e cadeia de distribuição de peças de reposição.”

Ainda assim, há outros aspectos mais atraentes, como o fator econômico. “O carro elétrico tem um custo de manutenção bastante reduzido e é bem mais econômico. O custo da eletricidade chega a ser de menos de 30% do que o gasto com combustível fóssil. Se o motorista utilizar bastante o veículo, o retorno do investimento tende a ser alcançado no curto prazo”, pontua Consoni. “Além disso, em geral, há uma grande atração por novas tecnologias.”

Existe, também, a parcela da população preocupada com as emissões de gases de efeito estufa geradas pelos carros a combustão, e que consequentemente busca os veículos elétricos como alternativa menos danosa ao meio ambiente. “Sem a eletrificação do transporte, a chance de alcançar o objetivo de redução das emissões líquidas até 2050 é zero”, constata Ayrton Barros, diretor geral da NeoCharge, especialista em carregadores para carros e veículos elétricos e infraestrutura para mobilidade elétrica sustentável. 

“Quando olhamos os números em nível global, 16% de todas as emissões estão relacionadas à queima de combustíveis nos transportes, com 12% dessa quantia provenientes do transporte terrestre. E esses 12% fazem parte do que consideramos emissões ‘fáceis de reduzir’, pois já temos as tecnologias necessárias sendo adotadas em escala,” disse.

Para Barros, políticas públicas têm o poder de acelerar a adoção dos carros elétricos no Brasil, por meio, por exemplo, do aumento da disponibilidade de pontos de recarga públicos, os quais fortaleceriam a infraestrutura brasileira para lidar com esses veículos. “No entanto, é importante ressaltar que a adoção desses carros ocorrerá de qualquer forma, com ou sem o apoio de políticas públicas”, opina Barros. “Temos a certeza de que o mercado avançará, independentemente do que aconteça nessa esfera.”

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Sabrina Brito
Sabrina Brito
Jornalista formada pela ECA-USP e graduanda em Direito pela PUC-SP
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