4.9.2023

Dia da Amazônia: eventos internacionais colocam a floresta no centro da discussão política sobre clima

Tanto no Brasil quanto em outros países, encontros diplomáticos têm o objetivo de definir formas para alcançar o desenvolvimento sustentável da região

Escrito por
Sabrina Brito
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TEXTO originalmente publicadO em
Imagem da vista área de uma floresta circundada por um rio.
Foto:
Jonne Roriz/ Nosso Impacto
A Floresta Amazônica é um dos mais preciosos patrimônios naturais do planeta.

No dia cinco de setembro comemora-se o Dia da Amazônia. Instituída por lei no ano de 2007, a celebração visa, principalmente, destacar a importância de se preservar a maior floresta tropical do mundo. Neste ano, haverá um conjunto de atividades culturais espalhadas pelo Brasil para marcar a data, a exemplo daquelas estruturadas por organizações socioambientais, como Condô e o Instituto Clima e Sociedade (iCS).

O bioma amazônico é considerado um dos mais preciosos patrimônios naturais do planeta e abriga uma das maiores reservas naturais do mundo. A floresta ocupa, aproximadamente, sete milhões de quilômetros quadrados – se fosse um país, ela seria a sétima maior nação do mundo em termos territoriais – e é imprescindível para o equilíbrio ambiental e climático da Terra.

Para além da biodiversidade que o ecossistema da Amazônia oferece, há também o aspecto do interesse comercial: inúmeros medicamentos, cosméticos e outros itens podem ser produzidos a partir de insumos retirados da floresta.

Recentemente, foi organizado um evento específico para discutir a atual situação da Floresta Amazônica, que passa por questões que se estendem desde o desmatamento e a ocorrência de queimadas ilegais até discussões no Congresso Nacional que podem remodelar as áreas de conservação no território.

Chamado de Cúpula da Amazônia, o encontrou reuniu em Belém, no Pará, entre os dias 8 e 9 de agosto, representantes da Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela, além de Congo, República Democrática do Congo e Indonésia.

De acordo com o presidente Lula, o objetivo do evento era dar o tom do debate que será assunto na COP-28 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas). Na ocasião, será também discutido o progresso obtido pelos países desde a assinatura do Acordo de Paris, cuja meta era limitar a elevação da temperatura do planeta a 1,5°C, até 2050. 

Na Cúpula da Amazônia, foi elaborado o documento chamado de Declaração de Belém. Os presidentes e ministros participantes concordaram, entre outros aspectos, em cobrar dos países desenvolvidos o pagamento de recursos que permitam minimizar os efeitos da mudança climática. Foram criados mecanismos fiscalizadores e estabeleceu-se a importância de proteger territórios indígenas dentro da floresta. 

Contudo, o documento não firmou metas comuns para impedir o desmatamento e tampouco fixou medidas sólidas para evitar o chamado “ponto de não retorno” da região, que é aquele a partir do qual o bioma não mais seria capaz de se sustentar sozinho. Um dos assuntos que mais tem sido comentado quando o assunto é Amazônia é justamente a transferência de fundos aos países amazônicos para permitir que eles protejam o ecossistema. 

Na COP26, realizada em 2021, concordou-se com o pagamento de 19,2 bilhões de dólares com o objetivo de resguardar as florestas mundiais. Cerca de 60% desses recursos serão pagos por nações desenvolvidas, a exemplo do Reino Unido, Estados Unidos e Canadá. Nesse sentido, o Brasil deve ser um dos países que receberão o dinheiro, dada a importância mundial da Floresta Amazônica, cuja área se estende sobretudo por terras brasileiras. 

Ainda, segundo o presidente Lula, é preciso direcionar esforços não somente à proteção do ambiente em si, mas também das pessoas que dele dependem diretamente. Sobre a participação do Brasil na COP-28, ele afirmou: "vamos dizer ao mundo rico que, se quiserem preservar o que existe de floresta, é preciso colocar dinheiro. Não apenas na copa da floresta, mas naquele povo que mora lá embaixo".

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Sabrina Brito
Sabrina Brito
Jornalista formada pela ECA-USP e graduanda em Direito pela PUC-SP
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