25.11.2023

Hidrelétricas: maior fonte de energia do Brasil, usinas geram impactos ambientais

Embora seja uma matriz limpa e renovável, a instalação de usinas provoca uma série de consequências ambientais e sociais

Escrito por
Sabrina Brito
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Barragem de concreto cinza sob o céu azul durante o dia
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Tejj/ Unsplash

A energia hidrelétrica, principal matriz energética no Brasil, está em ascensão há alguns anos. Mais recentemente, em novembro, a hidrelétrica de Itaipu, maior do país em capacidade de geração de energia, bateu o recorde diário de produção, apontando para o sucesso dessa fonte de eletricidade no Brasil.

A energia hidrelétrica é gerada pela força das águas. No processo de geração de eletricidade, transforma-se a energia potencial da água em energia cinética, a qual posteriormente é convertida em eletricidade. Trata-se da terceira principal forma de energia utilizada no mundo, representando 16% da energia gerada globalmente, sendo considerada renovável e significativamente mais limpa do que alternativas como o carvão e o gás natural, que ocupam o primeiro e o segundo lugar.

Atualmente, o mundo conta com mais de 60 mil usinas hidrelétricas. Entre elas, três das maiores estão no Brasil: Itaipu (PR), Belo Monte (PA) e Tucuruí (PA). Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica, 67% da eletricidade gerada no país vem de usinas como essas.

É importante pontuar que o índice de emissão de poluentes, a exemplo do metano, ligado às usinas hidrelétricas é muito baixo. Além disso, a construção dessas instalações pode gerar milhares de postos de trabalhos regionalmente, viabilizando a instalação de novas empresas e indústrias em determinado local.

Impactos ambientais

Por outro lado, a construção dessas usinas envolve áreas extensas próximas a cursos d’água que costumam ser importantes para as populações locais. A implementação dessas estruturas pode causar o desmatamento de grandes regiões, o que acaba por prejudicar negativamente a fauna e a flora. 

Ainda, muitas vezes as obras levam ao deslocamento forçado de populações locais e comunidades tradicionais, a exemplo da usina de Belo Monte, cuja construção culminou na remoção de muitos povos ribeirinhos da área.

Para além da retirada da vegetação nativa, o desvio do curso dos corpos d’água para abastecer a usina pode transformar os ecossistemas, o que pode causar a perda de biodiversidade e afetar o microclima da região. Alguns exemplos desses efeitos são a mudança dos regimes de chuva e das temperaturas nas áreas em questão.

Outro ponto que precisa ser considerado é o fato de que a produção de energia elétrica por meio de usinas hidrelétricas não é exatamente regular e constante. Prova disso é o fato de que, em outubro de 2023, a Amazônia passou por uma seca que fez com que a quarta maior hidrelétrica do Brasil, a de Santo Antônio (RO), suspendesse a geração de energia.

Assim, nota-se que, ainda que seja uma forma de energia limpa e renovável, assim como todas as outras matrizes energéticas, a hidrelétrica possui suas desvantagens. Por isso, antes de se instalar usinas em determinada região, é de extrema importância realizar estudos ambientais e de direitos humanos para verificar o quanto aquela planta irá prejudicar a fauna, a flora e as comunidades que vivem naquela região. Apenas desse modo será possível ter certeza da viabilidade daquela construção.

Energia solar

Recentemente, um novo estudo apontou que a transição energética pode estar mais perto do que se imagina: de acordo com a pesquisa, realizada por cientistas da Universidade de Exeter e da Universidade de Londres, a energia solar deve ser a fonte dominante no mundo antes do ano de 2050, mesmo sem o incentivo de políticas climáticas ambiciosas.

Energia solar é aquela captada da luz e do calor emitidos pelo Sol, sendo considerada uma fonte de energia limpa. Ao ser captada por painéis, ela é convertida em energia elétrica ou térmica, sendo utilizável para esses fins.

Existem, é claro, obstáculos para o objetivo de fazer da energia solar a mais usada no planeta até 2050. O levantamento aponta quatro barreiras que podem retardar a transição energética: a criação de redes elétricas estáveis, o financiamento de energia solar em economias em desenvolvimento, a capacidade das cadeias de fornecimento, e a resistência política de regiões economicamente dependentes de combustíveis fósseis.

No Brasil, a situação ainda não é completamente otimista. Apenas cerca de 13% de toda a matriz elétrica brasileira corresponde ao uso de energia solar. A geração dessa forma de energia está localizada principalmente em estados do sul, sudeste e nordeste do país, deixando para trás o norte e o centro-oeste.

Mas a situação está avançando. Em 2022, o Brasil terminou o ano na oitava colocação no ranking mundial de geração de energia solar. Somente cinco anos antes, o país estava no vigésimo sexto lugar. Em parte, esse progresso se deve à queda do preço das fontes solares, necessárias para o funcionamento dos mecanismos de captação de energia. Em 2013, o preço médio do equipamento batia os R$ 103. Já em 2022, foi para R$ 32,34.

Há, no entanto, alguns problemas que acompanham a ascensão da energia solar. Afinal, todas as fontes de energia, mesmo as renováveis, produzem impactos ambientais. Por exemplo: existem bilhões de painéis solares pelo mundo, os quais precisarão ser descartados eventualmente. Isso gera enormes quantidades de lixo, com o qual será difícil de lidar. 

Ainda, algumas aves podem ser prejudicadas pela instalação dos painéis solares. Como são espelhados, eles podem interferir na localização de algumas espécies de pássaros, além de gerar um calor que potencialmente pode machucar outros animais que se aproximem demais.

Eficiência energética

Por outro lado, há diversos benefícios que vêm junto com o investimento em energia solar. Um bom exemplo é o fato de que casas com painéis instalados podem gerar a sua própria eletricidade renovável, economizando até 95% na conta de luz. Além disso, é preciso notar que a energia vinda do Sol é praticamente infinita e não faz barulho. Desse modo, ela pode ser instalada em locais remotos onde outros tipos de energia não chegam.

Dessa maneira, pode-se perceber que há diversos pontos positivos e negativos relativos ao uso da energia solar. No entanto, é inegável que essa fonte de eletricidade é renovável e polui muito menos o meio ambiente do que as fontes de energia que atualmente são mais utilizadas, como o carvão.

Assim, embora seja imprescindível medir as vantagens e desvantagens antes de se implantar painéis de energia solar, por ora, ela parece muito mais benéfica para o planeta do que as opções não renováveis.

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Sabrina Brito
Sabrina Brito
Jornalista formada pela ECA-USP e graduanda em Direito pela PUC-SP
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