1.11.2023

Recifes de corais de bilhões: ecossistemas marinhos têm impacto social e econômico com proteção costeira e turismo

No mundo, o turismo relacionado a esses ambientes marinhos movimenta cerca de 36 bilhões de dólares por ano

Escrito por
Luana Neves
fotografia
TEXTO originalmente publicadO em
Imagem de um recife de coral com muitos corais pequenos.
Foto:
Jonne Roriz/ Nosso Impacto
Recife de coral na região da APA Costa dos Corais em Tamandaré, litoral de Pernambuco.

Além da riqueza natural com a beleza de paisagens subaquáticas, uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira, 1, mostrou que os recifes de corais geram até 167 bilhões de reais ao Brasil por meio de serviços de proteção da zona costeira e do turismo. A análise, feita pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, foi divulgada na publicação Oceano sem mistérios - Desvendando os recifes de corais

Segundo o estudo, o valor gerado em serviços de proteção é de 160 bilhões de reais, enquanto em atividades de lazer e recreação, como mergulho e snorkeling, são gerados 7 bilhões de reais por ano, o que corresponde a cerca de 5% do PIB no Brasil. No mundo, o turismo relacionado a esses ecossistemas movimenta cerca de 36 bilhões de dólares por ano.

Em nota, a bióloga e gerente de projetos da Fundação Grupo Boticário, Janaína Bumbeer, afirmou que o turismo responsável pode auxiliar na conservação dos recifes. "Precisamos perceber que recifes de corais vivos e saudáveis geram valores econômicos muito maiores para os municípios do que o turismo predatório", disse.

No entanto, para isso acontecer, é necessário que haja um cuidado com este ecossistema. De acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), cerca de 90% dos recifes de corais podem ser perdidos até 2050. 

Caso a temperatura média do oceano continue subindo, o fenômeno de branqueamento de corais acontecerá todos os anos a partir de 2045. O branqueamento é um processo que deixa o esqueleto de carbonato de cálcio da espécie exposto, ocasionando a diminuição da sua capacidade reprodutiva, a redução das taxas de crescimento e de calcificação, o que pode provocar a morte dos corais.

Barreiras marinhas

Também em nota, o professor do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ronaldo Christofoletti, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e do Grupo Assessor de Comunicação para a Década do Oceano da UNESCO, destacou que, com os corais prejudicados, as regiões costeiras ficam mais expostas a fenômenos da natureza. 

"A degradação de recifes de corais aumenta a vulnerabilidade da costa, principalmente em situações de eventos extremos que podem gerar grandes danos e perdas materiais e imateriais. Se o atual quadro de deterioração dos recifes de corais permanecer inalterado, as regiões costeiras estarão ainda mais expostas à inundação e à erosão", explicou.

Ainda assim, a importância dos corais não é muito reconhecida. Mesmo que ocupem menos de 0,1% do fundo do oceano, eles abrigam 65% dos peixes do mar, além de oferecerem abrigo e alimento para cerca de 25% das espécies marinhas. 

O estudo apresenta, também, algumas soluções que o poder público pode aplicar para promover a conservação.

"O primeiro passo é reconhecer a importância dos recifes de corais para a sociedade e a economia do país. É necessário direcionar mais recursos e fomentar o estudo e monitoramento desses ecossistemas, além de implementar rapidamente estratégias que visem à conservação e ao uso sustentável", indica a bióloga Janaína. 

Além disso, ela também sugere que haja uma participação ativa das pessoas em prol da defesa dos recifes de coral. "O cidadão tem papel central nessa transformação. As pessoas podem cobrar medidas das empresas e dos governos e buscar se informar para mudar atitudes que favoreçam a proteção do oceano.”

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Luana Neves
Luana Neves
É estudante de jornalismo na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e estagiária no Nosso Impacto
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