20.2.2024

Mudança climática coloca ursos polares em risco de inanição

Nova pesquisa aponta para a dificuldade desses animais obterem alternativas à dieta habitual com longos períodos de calor

Escrito por
Sabrina Brito
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Urso polar na água durante o dia
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Hans-Jurgen Mager/ Unsplash

De acordo com um novo estudo, as vidas de ursos polares podem estar sob severa ameaça em decorrência da mudança climática. A pesquisa, publicada no periódico científico Nature Communications, revelou que, apesar das diferentes estratégias empregadas pelos animais, nada foi suficiente para proporcionar-lhes comida suficiente para sobreviver às semanas de verão continuamente mais longas.

Os cientistas monitoraram vinte ursos polares ao longo de três semanas por meio do uso de colares com câmeras e aparelhos de GPS para rastrear esses animais na província de Manitoba, no Canadá. A ideia era entender o que eles fariam quando seu alimento preferido, focas, estivesse fora de alcance devido ao derretimento do gelo onde eles normalmente têm acesso a esses animais.

O estudo verificou que os ursos tentaram empregar diferentes estratégias para manter suas reservas de energia, a exemplo do descanso – alguns machos queimaram calorias a uma taxa parecida com aquela constatada em época de hibernação – e da busca por vegetação e por frutos silvestres. Os animais se alimentaram até mesmo de carcaças de pássaros. 

Esse tipo de comportamento já havia sido observado em outras espécies de ursos, que, no entanto, são menores e mais leves do que os polares, exigindo menores quantidades de calorias para se manter. Mesmo com esse comportamento, em média, os mamíferos perderam aproximadamente um quilo por dia, segundo as medições realizadas pelos cientistas. Apenas um urso entre os vinte analisados apresentou ganho de peso.

O estudo focou em uma região onde as mudanças climáticas estão impactando ursos mais rapidamente do que em outras áreas do Ártico. Na porção ocidental de Hudson Bay, onde a pesquisa foi conduzida, a população de ursos polares caiu 30% desde 1987. 

Entre os anos de 1979 e 2015, o período sem gelo na área cresceu até atingir o marco de três semanas (antes, ele durava entre 7 e 10 dias), colocando os ursos polares em perigo. Dessa forma, eles são forçados a ficar na terra cada vez mais cedo, diminuindo o período que poderiam utilizar para adquirir a maior parte da energia de que precisam para viver. 

A projeção é de que será constatado um aumento nas dificuldades dos ursos polares para se alimentar – sobretudo em relação às fêmeas com filhotes e aos ursos mais jovens. Considera-se que ursos polares estejam em extinção desde a década de 1980, sendo que a principal culpada foi a caça predatória. Atualmente, existem apenas cerca de 26.000 espécimes no mundo, a maioria deles localizada no Canadá. 

De acordo com o autor principal do estudo e biólogo do Serviço Geológico dos Estados Unidos, Anthony Pagano, a limitação da emissão de gases de efeito estufa e a manutenção da temperatura global abaixo do aumento de 1,5 graus Celsius acima de níveis pré-industriais provavelmente teria o efeito de preservar as populações de ursos polares.

Assim, entende-se que, ao que tudo indica, a sobrevivência desses animais depende de ação humana, uma vez que a intensificação da mudança climática é resultado da interferência da humanidade na natureza. Se a situação continuar da forma que está, será muito difícil para os ursos polares continuarem conseguindo se alimentar de forma adequada, o que prejudica – e muito – as suas chances de continuar no planeta Terra.

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Sabrina Brito
Sabrina Brito
Jornalista formada pela ECA-USP e graduanda em Direito pela PUC-SP
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